domingo, 3 de abril de 2011

Sorrisos que marcam



Hão-de passar anos e aquelas expressões firmes nas nossas mentes. Sorrisos que nos abraçam e fazem com que nos sintamos em casa. Solarengos “Hello´s” acompanhados das mais puras expressões e frágeis mãos a acenar. Deliciosos.
Não resistimos. Pedimos uma foto. Quatro crianças a vaguear no mausoléu de Gandi. Mal mostramos a câmara, puseram-se em sentido, qual formatura militar. Costas direitas, pose oficial. Pediram para ver a foto. Adoraram. Vai mais uma, agora individualmente. Cada rosto ganhou relevo, uma dimensão que até a nós surpreendeu.
Descalços. Traje escolar sujo, roto. Muito gasto. Pele que nunca terá visto água. Olhares expressivos, cada um contando histórias diferentes, mas com um ramo comum. Ao olhar ocidental, todas dramáticas.
Separamo-nos. Com eternos sorrisos e acenos. Enquanto partilhámos o raio de visão, foi assim. E frágeis “bye” já ao longe. Sorrisos que nos deram bem mais do que algum dia poderão imaginar.
(Uma hora antes, avó filha e netinhas tinham-nos pedido para tirarmos foto em conjunto. Brilho nos olhos. De todos nós. Este é um filme habitual na India)
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sexta-feira, 1 de abril de 2011

Saudoso conforto, fica em casa!

Depois de duas noites mal dormidas (Lisboa + avião) a paciência diminui. Os nossos sentidos estão menos alerta. Seremos menos tolerantes. Se juntarmos a isto um choque cultural significativo, pobreza e caos por todo lado, o resultado pode não ser o melhor. E se de minuto a minuto nos perguntam para onde queremos ir, de onde somos, o que já vimos na Índia, o que vamos ainda visitar, o que achamos do país… … enfim…

Pois bem. Para ficar na nossa zona de conforto, não tínhamos saído de casa. Líamos alguns bons livros e ficávamos por Portugal a viajar através das palavras de alguns génios da literatura. Mas optámos por estar aqui. Exaustos, sim, mas felizes. E abertos à diferença.


Let´s moove!!


PS: Tinhamos de decidir: ou fotos agora ou comboio. Saimos a correr!!
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Mr. Kishor

“Por que pintou o cabelo cor de ferrugem?”, perguntei, obviamente curioso.
“Para tapar as brancas”, respondeu. “E as mulheres acham sexy”, acrescentou. Não conseguimos evitar sonora gargalhada.
Na verdade, um interessantíssimo diálogo com o nosso novo amigo, condutor do tuc tuc com que exploramos a cidade. Passou o tempo todo a olhar para trás enquanto ziguezagueava pelas caóticas ruas de Deli. Os indianos só podem ter nascido com “radar” similar ao dos morcegos… típico no ADN da Ásia.
Foi o próprio a apresentar-se: “Mr. Kishor, 56 anos, três filhos, proprietário de um tuc tuc e adorador de mulheres com peito muito voluptuoso. Como a minha”, frisou, com um sorriso da cor do cabelo.
Por ele, ficámos mais convencidos de que as mentalidades e leis vão mudando na Índia. E que acabou mesmo, “oficialmente”, a questão do dote que as mulheres deveriam pagar à família do futuro marido.
“Se um dia me pedirem dinheiro, denuncio-os às autoridades. Se depois do casamento vierem com conversas que querem um carro ou ajuda para qualquer negócio, farei o mesmo. Nem que acabe com o casamento”, asseverou.
Ainda assim, o simpático Mr. Kishor não dá à filha a liberdade para um dia escolher o seu marido. “Sei o que é o melhor para ela”, justificou.
“E o amor?”, perguntei. “Isso vem depois, quando se conhecerem”. E não há forma de o demoverem essa ideia.
Entretanto, levou-nos a Jama Masjid (maior mesquita da Índia – a religião não permite fotos, mas se pagássemos 200 rupias por máquina…), ao Red Fort (edifício impressionante, com ampla história, onde todos os anos se faz o discurso oficial no Dia da Independência ) e ao Raj Ghat, onde jaz a alma do inigualável Gandi. Aqui, antes de apreciar o mausoléu, uma hora sob a gostosa sombra de uma árvore, com sono a cheirar a relva.
Pelo caminho, brindados com muitos calorosos sorrisos…
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A “hora” da India

Decidimos inovar. Esquecer a aprendizagem de viagens em muitos países menos desenvolvidos e assumir a postura de um turista desprevenido. Uma hora, foi o combinado. E nada mais.


Queríamos comprar um bilhete de comboio para longa jornada. Algo aparentemente simples, apesar dos milhares que pintam o caos na estação. Lá veio o primeiro altruísta voluntário. Falou-nos no posto de atendimento ao turista. Vimos as placas. Fez questão de nos levar lá.
“Está fechado. Hoje é feriado. Só na cidade podem comprar os bilhetes. DCCC é o nome do local. Eu arranjo-vos um tuc tuc para vos levar lá. Não mais de 20 rupias (uns 30 cêntimos)”, avisou-nos o simpático novo “amigo”. Minutos depois já estávamos na DCCC, alegadamente o posto oficial de venda do estado. Na prática, uma agência de viagens de mau aspecto. Mesmo.
Dizem-nos que não há bilhetes. “Não em menos de duas semanas”, asseguram-nos. Mostram-nos no computador uma alegada lista de espera de dezenas de pessoas. Propõem alternativas. Avião a 145 euros. 175 euros para um plano C baseado em circuito turístico.
Não podia ser. Devíamos estar no destino em dois dias, retorquimos. Precisamos tirar dúvidas com amigos em Portugal. Desconfiam. Oferecem-se para nos facultar a internet. E telefone gratuito para ligarmos para a pátria mãe. Muito prestáveis. Tinham passado 35 minutos da Hora da Índia. Saímos do local para “pensar”.
Nem 20 passos tínhamos dado e já um “estudante” que apenas deseja m “praticar o inglês” se tinha oferecido para ajudar. “Nessa loja cobram-vos percentagem. Devem ir aos escritórios do governo. Ficam mesmo ali”. Dois minutos depois entravamos em nova agência de viagem. Restavam 5 minutos para o fim da Hora da Índia. O confiante funcionário não sabia. Esgotou-se o tempo. O seu “peixe” era o mesmo, mas com outros números. Ficou a falar sozinho...
Voltamos para estação. Directos ao posto de turismo. Afinal havia bilhetes. E a preços mais em conta. Alguma burocracia, mas reserva feita. Pragmatismo 1, Hora da Índia 0. É bom estar aqui…
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NEW Deli

Quem acaba de aterrar em Nova Deli e quer chegar rapidamente ao centro da cidade depara-se com uma India que ninguém conhece: nova, limpa, eficiente e eficaz. Um aeroporto que se orgulha de receber sucessivos prémios internacionais e um metro, novinho em folha (ainda a terminar alguns acabamentos e limpezas) que nos coloca no centro da cidade em 20-25 minutos. Com veículos a cheirar a novo, espaçosos e realmente velozes.
Acabamos por sair para a estação central de caminhos de ferro de Deli. Chegámos à superfície. Finalmente, a INDIA!
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40 minutos

O tempo suficiente para estragar umas férias. O primeiro teste à ousadia de mudar de avião em Helsínquia em apenas 40 minutos. Não soa muito razoável – e não é – mas foi a opção (in)conscientemente tomada.
Lisboa – Oslo – Helsínquia – Deli era o plano. Para minorar os prováveis danos, tentamos em Oslo fazer o check in de Helsínquia (estranho, pois as malas foram logo despachadas de Lisboa para o destino final). Percebemos que o embarque começaria connosco ainda no ar. Não ia ser fácil. Não foi.
17:15, hora de levantar voo, e ainda nem sequer tínhamos embarcado. Pois, está mesmo a complicar… encolhemos ombros. Não estava nas nossas mãos.
Depois de ser “regado” com anticongelante verde, o avião da Finnair lá rasga os céus nórdicos. A paisagem deslumbrante que está sob o nosso olhar distrai-nos. Neve em abundância, que experimentamos no rosto ainda em Oslo, saindo do aeroporto.
Hora de fazer um pedido especial à hospedeira. Contar o nosso problema, saber se esperam por nós. Tentar sentar-nos em executiva na hora de aterrar, para sermos os primeiros a sair.
Subitamente, o comandante entre em cena. Fala com os passageiros. Muita gente com voos de ligação. 20 dos passageiros seguem para Deli. Salvos pelos turistas noruegueses! Graciosamente, agrademos. Já no chão, voar “tão rápido quanto humanamente possível para a porta de embarque” (palavras do comandante) foi o mote. Desta já nos livramos…
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Pecado capital

Quando abrimos os olhinhos, percebemos que não estávamos no desejado Parque das Nações, mas num beco em Sete Rios. Aprendemos a lição: Renex sim, Rede Expressos não.
Tudo tinha corrido bem no Porto, com o Marco Aurélio a deixar-nos no local de partida, mesmo em cima do gongo.
Já na capital, meia hora de metro e fomos ao Vasco da Gama. Wok to Walk. Habituar o estômago ao caril e picante. Boleia mais que amiga até à pousada. Conversa nada animadora sobre estado da nação. Estará ainda pior ao nosso regresso.
Hora de dormir. Tarde. Alguém a ocupar quarto errado. Reclamação. Pedido de desculpas. “Forçados” a dormir no andar feminino. Algumas surpresas.
Despertador madrugador. Aeroporto. Check in. Interlocutor torce nariz quando sabe que temos apenas 40 minutos entre voos em Helsínquia.
“Ainda por cima têm de pedir lá o talão de embarque para Nova Deli”, avisou-nos. Ao menos a bagagem vai directa. Esperemos.
Sentados junto à porta de embarque. Testar notebook gentilmente “angariado” pelo José Luís (obrigado Isabel). Contar minutos para embarque. E dias para a primeira cama a sério.
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